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Venho todo na humildade propor uma atenção especial ao Eric Rohmer na semana de sua morte. Dos filmes dele vi cinco. Meu preferido é Conto de Verão, sobre um rapaz envolvido em vários relacionamentos ao mesmo tempo durante uma curta estadia em um balneário francês. Talvez a melhor coisa que conheça do gênero peripécias amorosas. Em Conto de Inverno, Rohmer dá de mão beijada a chave da cadeia de Sex and the City, que aprisiona uma fatia considerável da população de mulheres urbanas. A protagonista é um triunfo da arquitetura de personagens e leva os conflitos femininos a um patamar de complexidade tal que, por contraste, é revelado o reducionismo escandaloso e o fracasso da promessa daquelas neuróticas novaiorquinas serem o retrato definitivo, o modus operandi desse bicho chamado mulher. Esse Bicho Chamado Mulher, inclusive, poderia ser a tradução de uma comédia do Billy Wilder estrelando um James Stewart todo atrapalhado. Eric Rohmer, sou teu fã e verei todos os teus filmes antes de nos encontrarmos, quando aproveitarei a oportunidade pra te perguntar como é ser tão parecido com o Simiano, aquele inimigo do He-Man. Quer ver?