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Não senti absolutamente nada vendo o teto da Capela Sistina. Também não fiz questão de ver a Mona Lisa no Louvre nem fui com a excursão à Estátua da Liberdade. Lembro de poucos momentos realmente marcantes em viagens. Nove deles me ocorrem agora:
1- As duas crianças belgas quebrando uma máquina de refrigerante em uma estação de trem porque a coca-cola não saía. As pessoas em volta não faziam nada.
2- Minha mãe chorando encostada no carro alugado em alguma cidade da Flórida. Havíamos passado um dia sem sucesso tentando comer os famosos mariscos daquela região que os guias de viagem indicavam. Era feriado e os restaurantes haviam fechado.
3- A viagem ao Rio de Janeiro em que esqueci minha prancha de natação em casa. Minha avó, que fazia tudo por mim, comprou um isopor enorme e mandou um homem cortar em forma de prancha. Os cantos soltavam pequenos flocos que sujaram bastante a piscina do hotel e me deixavam envergonhado perante as outras crianças. Anos depois, vendo as fotos, descobri que não estávamos no Rio de Janeiro, mas em Santarém, no Pará.
4- Um francês em um trem em movimento enrolando um cigarro com uma mão e com a outra segurando um livro antigo de mais ou menos três dedos de espessura que lia sem a menor dificuldade.
5- Dois casais desconhecidos e de boa aparência que haviam acabado de se cruzar na Bourbon Street, em New Orleans, e começaram a se apalpar juntos. Alguns segundos depois se despediram e provavelmente nunca mais se viram.
6- Ver pela primeira vez o lago onde antes ficava o garimpo de Serra Pelada. Na hora lembrei do monolito do 2001 - Uma Odisséia no Espaço. Inclusive eu acho que ouvi aquele ruído do filme na hora.
7- Ver a cidade de Nova York e constatar que ela existia igual nos filmes.
8- Aquele dia de inverno no zoológico de Buenos Aires com meu irmão pequeno e meus pais.
9- A mais marcante dessas, o dia em que vi um homem pegando santo em um terreiro localizado num povoado isolado da Ilha do Marajó.